
TL;DR — Emanuel Macedo de Medeiros, da SIGA, afirma que a regulação brasileira avançou, mas a integração operacional entre instituições permanece como principal lacuna. Ele lista cinco requisitos mínimos de integridade e defende uma plataforma nacional para troca segura de informações. Sem confiança e protocolos claros, alertas não se convertem em investigações e sanções.
SCCG Take — Operadores devem fortalecer iniciativas como o FAIR para construir confiança pré-competitiva. A criação de plataforma nacional de integridade é essencial para conectar alertas a ações efetivas e elevar a credibilidade do mercado regulado.
A consolidação dos mercados regulados de apostas esportivas na América Latina trouxe ferramentas de monitoramento de atividades suspeitas. No entanto, a existência de normas e licenças não é suficiente para garantir a integridade do setor. Emanuel Macedo de Medeiros, cofundador e CEO da Aliança Global para a Integridade no Esporte (SIGA), destacou em entrevista à SBC Notícias que é preciso transformar alertas em investigações e, quando necessário, em sanções efetivas.
Medeiros listou cinco requisitos essenciais independentes do modelo regulatório adotado. O primeiro é uma licença rigorosa que identifique os controladores do operador, a origem dos recursos e a capacidade financeira e tecnológica. O segundo envolve supervisão tecnicamente competente, com independência operacional e poderes reais para auditar, investigar e sancionar.
O terceiro requisito abrange identificação sólida do apostador, trazabilidade financeira e monitoramento contínuo. O quarto exige comunicação imediata de apostas suspeitas e troca segura de informações. O quinto determina que o esporte assuma suas responsabilidades com regras claras, canais de denúncia protegidos, investigações independentes e sanções efetivas.
A esses pontos soma-se educação contínua, jogo responsável, proteção de denunciantes e combate firme ao mercado ilegal. Tudo deve funcionar como um sistema integrado. Os Estândares Universais da SIGA, agora disponíveis em português, oferecem base comum, com verificação independente por meio do SIRVS.
O principal obstáculo ao intercâmbio de informações não é a falta de dados, mas a ausência de confiança, protocolos claros e linguagem comum entre operadores, reguladores, entidades esportivas e autoridades. Persistem dúvidas sobre confidencialidade, proteção de dados e uso das informações em processos. No Brasil, o grupo FAIR reúne atualmente dez operadores autorizados que são membros da SIGA para fomentar confiança em ambiente pré-competitivo e confidencial.
Medeiros defendeu a criação de uma plataforma nacional de integridade conectada a redes internacionais, com pontos de contato permanentes, prazos definidos e mecanismos que garantam que alertas cheguem rapidamente a quem pode investigar. A detecção de anomalias é apenas o início. É necessário cotejar contas, preservar registros, manter cadeia de custódia e coordenar processos esportivos e penais sem que um paralise o outro.
Sem responsabilidades definidas e profissionais especializados, acumulam-se alertas sem geração de casos concretos. O executivo participa do painel no SBC Summit 2026 ao lado de Ricardo Domingues, da APAJO, e João Paulo Almeida, consultor de integridade para INTERPOL e Conselho da Europa. O evento em Lisboa deve avançar para medidas concretas de cooperação regional.
Reporting: SBC Noticias
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We operate in every regulated market in Latin America. Brazil's licensing wave is done — the hard part is making integrity work across silos. Operators, leagues, and regulators all have pieces of the puzzle but no shared platform or trust protocols. That gap is the difference between alerts and enforcement.
SCCG angle: SCCG connects operators to integrity partners and compliance networks across 30 years and every regulated market. We bring licensed operators into trusted consortia like FAIR and link them to the leagues, data providers, and regulators who can operationalize these frameworks — not just on paper but in daily workflows.
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