
TL;DR — A ANJL repudiou a ausência de representantes das bets licenciadas em reunião do governo federal sobre fiscalização, que reuniu apenas vozes críticas. Plínio Lemos Jorge criticou o formato por comprometer a legitimidade das políticas. A entidade destacou o papel econômico do mercado regulado e a falta da SPA no debate.
SCCG Take — A exclusão de agentes regulados pode reduzir a efetividade das novas regras e enfraquecer o mercado licenciado. Reguladores e operadores devem priorizar diálogos inclusivos para construir políticas baseadas em evidências reais.
A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) publicou nota de repúdio após reunião do governo federal que debateu a fiscalização das bets sem a presença de representantes do setor licenciado. O encontro, ocorrido na última terça-feira (1), reuniu autoridades governamentais, pesquisadores e líderes religiosos, muitos deles já manifestamente críticos às apostas. Segundo a ANJL, a composição do evento comprometeu o caráter democrático do debate e a qualidade das políticas públicas em elaboração.
A entidade ressaltou que o governo promoveu discussão sobre o setor sem ouvir os próprios agentes regulados, o que pode enfraquecer o ambiente regulado onde ocorrem obrigações de proteção ao consumidor. A ausência da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), órgão responsável pela regulamentação e fiscalização, também foi destacada na nota. Como reportado pelo iGaming Brazil, a ANJL sempre pautou sua atuação pelo diálogo com o poder público desde o início do processo de regulamentação.
O presidente da ANJL, Plínio Lemos Jorge, classificou a exclusão como grave comprometimento do debate democrático. “A entidade entende que qualquer debate sério e responsável sobre os efeitos das plataformas de apostas deve necessariamente incluir a escuta dos agentes regulados, que dispõem de dados, expertise técnica e visão aprofundada sobre o funcionamento do mercado”, afirmou. A nota aponta que não houve representante do mercado regulado para apresentar dados ou esclarecer informações, enquanto participantes críticos ao setor predominaram.
A ANJL expressou ainda preocupação com a veracidade dos dados apresentados, que não corresponderiam aos números oficiais. A entidade lembrou a relevância econômica e social do mercado regulado, que gera milhares de empregos, movimenta ampla cadeia de serviços, investimentos e contribui para o financiamento de diferentes segmentos da economia brasileira. A nota reitera o compromisso da associação com diálogo transparente, técnico e construtivo com o governo federal e com a SPA.
A exclusão pode justamente enfraquecer o ambiente regulado no qual existem obrigações de proteger o consumidor, combater a ludopatia, impedir o endividamento e proteger menores de idade. Para o setor, o episódio reforça a necessidade de inclusão dos operadores licenciados nas discussões futuras, de modo a garantir que as regras sejam construídas com base em dados reais e expertise técnica. A resposta do governo federal a esta manifestação indicará o rumo que as políticas de fiscalização das bets tomarão nos próximos meses.
Reporting: iGaming Brazil
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