
Harrison Barrett, da Soft2Bet, detalha em entrevista os desafios regulatórios, operacionais e tecnológicos da expansão internacional, defendendo plataformas unificadas e modulares para evitar complexidade. Ênfase em retenção via engajamento além de promoções e automação com governança. A abordagem reforça a necessidade de accountability contínuo em mercados regulados.
SCCG Take — Operadores brasileiros precisam avaliar como soluções turnkey se adaptam à Lei 14.790/2023 e normas da SPA/MF antes de adotá-las, pois o que funciona na Europa ou nos EUA pode exigir customizações ainda não esclarecidas.
A Soft2Bet consolidou-se como provedora de tecnologia iGaming com presença em mais de 12 jurisdições e prêmios recentes como Platform Provider e Innovator of the Year. Em entrevista exclusiva à iGaming Future, Harrison Barrett, vice-presidente de Desenvolvimento de Negócios da empresa, detalhou os obstáculos à expansão internacional e as estratégias para construir operações sustentáveis sem adicionar complexidade excessiva.
Barrett, com experiência em GiG, DraftKings, Light & Wonder e MERKUR, afirma que tratar cada novo mercado como projeto bespoke compromete a escala eficiente. Ele propõe três lentes principais: fundamento regulatório, prontidão operacional e arquitetura tecnológica. No plano regulatório, operadores devem avaliar imediatamente taxas de licenciamento, estruturas tributárias e restrições de produtos, especialmente na Europa e no mercado americano fragmentado por estados. A Soft2Bet mantém licenças pré-configuradas para que parceiros acelerem a viabilidade comercial.
Do ponto de vista operacional, a solução turnkey unifica PAM, pagamentos localizados, KYC automatizado e ferramentas de gerenciamento de risco, evitando pontos cegos após o lançamento. Tecnologicamente, o núcleo permanece consistente enquanto a camada frontal permite adaptações rápidas em conteúdo, promoções e jornadas de jogadores. Barrett ressalta que o trabalho não termina no lançamento: é essencial designar responsabilidade clara pelo monitoramento contínuo de mudanças regulatórias para evitar soluções manuais que inviabilizam o crescimento futuro.
Sobre retenção, Barrett observa que, após o fim das promoções, o produto deve oferecer missões, desafios e progressão para manter o engajamento. Operadores precisam medir retenção e receita líquida de custos de recompensas, além do esforço manual exigido. Ele critica a fragmentação no ecossistema B2B, que aumenta tempo de lançamento, complexidade e dificuldade de accountability. O modelo futuro tende a plataformas integradas com capacidades centrais em gerenciamento de contas, casino, sportsbook, CRM, pagamentos e engajamento, mas abertas a integrações especializadas. A automação em marketing, suporte e risco deve vir acompanhada de governança e supervisão humana, especialmente em personalização.
A fonte não menciona o Brasil nem estabelece ligação direta com o arcabouço local. Por isso, não se sabe como o framework pré-configurado da Soft2Bet se adequaria à Lei 14.790/2023, que regula apostas esportivas e jogos online, ou às normas específicas da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA/MF). Desconhece-se se as licenças existentes cobrem os requisitos de certificação brasileira, a alíquota de 12% sobre o GGR ou a integração com sistemas da Receita Federal para controle tributário e prevenção à lavagem de dinheiro. Igualmente desconhecido é o grau de adaptação necessária para o KYC local e monitoramento de alterações regulatórias frequentes no país. Operadores e investidores brasileiros devem acompanhar como soluções modulares como as descritas serão certificadas aqui antes de considerar parcerias para expansão sem complexidade adicional.
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