
Autoridades italianas desmantelaram esquema que fraudava 145 caça-níqueis com ajuda de informante na ADM, sonegando o PREU via circuitos ocultos. Medidas contra 15 suspeitos ocorreram em 26 de outubro, após apreensão de €12 milhões em novembro de 2025. O caso expõe falhas graves de compliance em reguladores de jogos.
SCCG Take — Para o Brasil, o incidente alerta a SPA/MF sobre a necessidade de reforçar controles internos na Lei 14.790/2023, protegendo o monitoramento de apostas contra corrupção que ameaça a arrecadação tributária.
Uma rede sofisticada de fraude em máquinas caça-níqueis na Itália contava com um colaborador interno na agência responsável pela fiscalização para evitar detecções. A operação manipulava 145 máquinas instaladas na província de Cosenza, ocultando apostas das autoridades tributárias e permitindo a sonegação do imposto PREU. A polícia executou medidas judiciais contra 15 suspeitos em 26 de outubro, com dois em prisão domiciliar e treze enfrentando penalidades não privativas de liberdade, incluindo vetos para atuar no setor.
O esquema envolvia um distribuidor e operador de caça-níqueis que trabalhava com técnicos e fornecedores para instalar circuitos ocultos. Um conjunto de eletrônicos reportava dados normalmente à rede oficial de monitoramento, enquanto outro registrava apostas secretas que nunca chegavam ao fisco. Controles remotos sem fio desviavam o jogo, cartões inteligentes clonados impediam desligamentos e sistemas anti-adulteração eram neutralizados com cola e amarras plásticas.
Um funcionário da Customs and Monopolies Agency (ADM, na sigla em inglês), o órgão regulador italiano de jogos, supostamente recebia pagamentos para avisar sobre inspeções. Ele também teria devolvido placas eletrônicas apreendidas como evidência, que foram resetadas e recolocadas em uso. A investigação começou após analistas da ADM detectarem discrepâncias em dados de Cosenza. Em novembro de 2025, foram apreendidos mais de €12 milhões (US$ 13,5 milhões) em ativos. Como reportado pelo Casino.org News, o promotor Vincenzo Capomolla afirmou que as apurações continuam.
A Lei 14.790/2023 define o marco para apostas de quota fixa no Brasil e exige transmissão em tempo real de dados à Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA/MF) e à Receita Federal, com alíquota de 12% sobre a receita bruta para garantir arrecadação e integridade. O caso italiano ilustra como conluio interno pode comprometer exatamente esse mecanismo de monitoramento centralizado, o que poderia alterar a confiança dos operadores e investidores no sistema brasileiro de licenças e controles antifraude.
A fonte, porém, não menciona qualquer ligação direta com normas da SPA/MF ou dados da Receita Federal. Ainda não se sabe se o episódio levará a auditorias específicas de integridade interna ou a ajustes normativos no Brasil para mitigar riscos semelhantes de insiders.
Reporting: Casino.org News
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