
A manutenção das apostas esportivas prevista em emendas à MP pode não ser suficiente para preservar os patrocínios de casas de apostas a clubes. Jogos de cassino online representam entre 70% e 80% do faturamento das empresas e a proposta não prevê a retomada. 16 clubes arrecadaram R$ 5 bilhões em 2025.
SCCG Take — Operadores e clubes devem revisar dependência de cassinos online e preparar ajustes regulatórios na Lei 14.790/2023 para evitar perdas financeiras e instabilidade no futebol brasileiro.
A manutenção das apostas esportivas prevista em emendas à Medida Provisória de proibição das bets pode não ser suficiente para preservar os patrocínios de casas de apostas aos clubes da primeira divisão do futebol brasileiro. Segundo reportagem do Estadão, jogos de cassino online como o tigrinho representam entre 70% e 80% do faturamento das empresas, conforme fonte do mercado. As quase 100 emendas ao texto buscam manter as apostas esportivas, com exceção de estatísticas individuais como escanteios e cartões, mas não preveem a retomada dos jogos de cassino online.
As apostas esportivas exigem investimentos maiores em publicidade e monitoramento de partidas. Já os jogos de cassino online operam com sistemas automatizados e margens calibradas, o que explica a diferença de rentabilidade. Fernando Marinho Mezzadri, coordenador-geral do Instituto de Pesquisa Inteligência Esportiva e professor da Universidade Federal do Paraná, afirmou que não é possível estimar com precisão o impacto financeiro de um mercado restrito. A falta de transparência das empresas sobre arrecadação dificulta os cálculos.
Levantamento do IPE/UFPR aponta que 16 clubes arrecadaram R$ 5 bilhões com patrocínios de casas de apostas em 2025. No mesmo período, a arrecadação das empresas do segmento foi estimada em R$ 30 bilhões. Mezzadri questionou a dependência dos clubes em relação aos recursos das operadoras e relacionou os problemas financeiros do futebol brasileiro à gestão.
A Associação Nacional de Jogos e Loterias informou que não dispõe de números oficiais sobre a participação de cada modalidade no faturamento. A entidade ressaltou que a proporção varia conforme o perfil das empresas. Uma eventual mudança nas modalidades permitidas exigiria revisão da estrutura operacional das empresas no Brasil, assim como dos investimentos já realizados, conforme a ANJL.
A Lei 14.790/2023 regulamentou a operação das bets no país, com cada empresa pagando outorga de R$ 30 milhões e validade de cinco anos, considerando diferentes modalidades para projeção de receita. A MP assinada em 25 de setembro de 2026 estabelece a extinção das autorizações após 30 dias e o Congresso tem 120 dias para convertê-la em lei. O mecanismo que liga os fatos é que a restrição às apostas esportivas altera a base de projeções usada na lei de 2023, forçando operadoras a revisarem estruturas operacionais, investimentos e contratos de patrocínio já firmados.
Isso impacta diretamente a previsibilidade para reguladores como a Secretaria de Prêmios e Apostas, investidores e clubes que dependem desses recursos. A fonte não detalha o volume exato de ajuste tributário ou prazos de adaptação pela SPA/MF, mas indica que os valores dos patrocínios devem retornar aos patamares anteriores a julho de 2025. Operadores precisam monitorar a tramitação para ajustar compliance e estratégias comerciais diante da possível redução de receitas de cassino online.
Reporting: Yogonet Brasil
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