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Patrocínios de casas de apostas cobriam mais de três meses de salários dos clubes da Série A

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Patrocínios de casas de apostas cobriam mais de três meses de salários dos clubes da Série A
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Levantamento mostra que patrocínios de casas de apostas equivaliam a mais de três meses de salários anuais em média para 14 clubes da Série A, representando 28,2% dos gastos mensais com jogadores. São Paulo (52,3%), Flamengo e Corinthians são os mais dependentes. Os dados surgem após proibição de apostas online pela Medida Provisória Nº 1.394/2026.

SCCG Take — A forte dependência financeira dos clubes reforça a urgência de diversificação de receitas diante da restrição regulatória imposta pela medida provisória.

Um levantamento revelou que os contratos de patrocínio principal das casas de apostas com os clubes da Série A do Campeonato Brasileiro representavam, em média, o equivalente a mais de três meses de salários das plantéis por ano. No caso do São Paulo, o montante equivalia a mais de seis meses de remuneração dos jogadores, segundo estudo publicado pelo ge e reproduzido pela BNLData, conforme reportado pela Yogonet.

O estudo considerou 14 equipes da primeira divisão que tinham casas de apostas como patrocinadoras principais. Os contratos somavam aproximadamente R$ 1.010 milhões anuais, ou R$ 84,5 milhões mensais. As massas salariais desses clubes atingiam R$ 299,3 milhões mensais, de modo que os patrocínios representavam 28,2% do gasto mensal com jogadores.

Clubes mais expostos aos recursos das apostas

O São Paulo aparece como o mais dependente. O acordo com a Superbet, de R$ 113 milhões anuais, cobria 52,3% da massa salarial estimada em R$ 18 milhões mensais, o que equivale a mais de seis meses de remunerações. O Flamengo vinha em segundo, recebendo R$ 268,5 milhões da Betano sobre uma folha de R$ 50 milhões mensais, percentual de 44,8% ou 5,4 meses de salários. O Corinthians ocupava o terceiro lugar, com R$ 150 milhões da Esportes da Sorte sobre R$ 30 milhões mensais, fatia de 41,7% ou cerca de cinco meses.

Botafogo, Palmeiras e Vasco também registravam participação relevante, com 30,6%, 27,8% e 26% de suas massas salariais, respectivamente. Os números foram divulgados em meio ao debate sobre a Medida Provisória N.º 1.394/2026, que proibiu as plataformas de apostas online. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia afirmado que os patrocínios representavam de 6% a 7% do orçamento de um clube.

Limitações do levantamento e implicações regulatórias

O relevamento deve ser interpretado com cautela, pois as estimativas de massas salariais não seguem metodologia padronizada e consideram apenas os contratos principais, excluindo publicidade em placas, ações promocionais e bônus por desempenho. Outros relatórios indicam que as apostas equivalem a 33% dos ingressos comerciais e de marketing dos clubes, estimados em R$ 3.069 milhões (USD 605,8 milhões). Em 2025, a Série A arrecadou R$ 1.030 milhões (USD 203 milhões) em patrocínios de casas de apostas.

O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, estimou perdas superiores a R$ 430 milhões para o clube e de R$ 2.500 milhões para o futebol brasileiro como um todo. Esses dados evidenciam a exposição financeira dos times e o desafio de adaptação à nova regra que restringe as operações de apostas.

Reporting: Yogonet LatinoAmerica

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