
Parlamentares apresentaram 97 emendas à MP 1.394/2026 contra a proibição de apostas de quota fixa, com propostas para restaurar licenças sob regras mais duras e combater o ilegal, que representa 44% do mercado. O Congresso discute o grau de mudanças, não a existência delas. O comitê conjunto ainda não foi formado e o prazo expira em 23 de novembro.
SCCG Take — O alto número de emendas indica preferência pela regulação em vez da proibição total, o que pode preservar receitas e licenças para operadores. Reguladores precisam definir prazos claros para evitar prolongamento da incerteza no setor.
Parlamentares brasileiros submeteram 97 emendas à Medida Provisória nº 1.394/2026, que proíbe as apostas de quota fixa. Várias propostas visam restaurar as operações licenciadas, com regras mais rígidas para o jogo online. O prazo de 13 de outubro viu 38 submissões, trazendo o total para 97 emendas de 18 deputados e seis senadores. Cinco foram retiradas, deixando 92 para revisão no Congresso. O debate não é sobre se mudar a medida, mas sobre o quanto alterá-la, segundo análise da BLN Data.
O deputado Mauricio Neves (PP-SP) propõe, pela Emenda 64, substituir a proibição por regulação mais estrita sob a Lei nº 14.790/2023. As sugestões incluem restaurar licenças canceladas, estender autorizações, limitar publicidade a marcas licenciadas, exigir verificações financeiras, registro de provedores de tecnologia e retirada de anúncios ilegais em até 48 horas. Taxas de inspeção custeariam a fiscalização, com proteção mantida para loterias estaduais.
Bebeto (PP-RJ) calcula que 44% das apostas já acontecem em plataformas ilegais. A justificativa aponta que a demanda migra para operadores que não cumprem requisitos de identificação, proteção de menores e prevenção à lavagem de dinheiro. Propostas relacionadas de Átila Lira (PP-PI) e Captain Alden (PL-BA) protegem operadores licenciados. Alden defende reembolso proporcional das taxas de licenciamento corrigido pela Selic, enquanto Julio Arcoverde (PP-PI) rejeita compensações. Cada licença de cinco anos custou R$ 30 milhões (US$ 5,9 milhões).
Marcos Braz (PSDB-RJ) sugere manter patrocínios em uniformes e arenas por até 24 meses. Outras emendas preservam publicidade já veiculada, permitem venda de mercadorias marcadas e proíbem novos naming rights em estádios. Diversos parlamentares defendem manter apostas esportivas, mas banir jogos de cassino, slots e apostas em eventos individuais de partidas. Senadora Sergeant Reginauro (PSDB-CE) apresentou 16 emendas com restrições permanentes a cassinos e salvaguardas condicionais para reabertura futura.
O comitê conjunto nomeado em 30 de setembro ainda não foi instalado. A medida provisória passa a bloquear a agenda do Congresso em 9 de novembro e expira em 23 de novembro, salvo prorrogação por 60 dias. O avanço deve ficar limitado antes do segundo turno presidencial de 25 de outubro, enquanto o ministro Luiz Fux acompanha os questionamentos no Supremo Tribunal Federal. Nove emendas propõem redirecionar recursos de apostas ilegais confiscados para saúde, tratamento de dependência e esporte.
Essa movimentação legislativa mostra esforço para equilibrar proteção ao consumidor com viabilidade do mercado licenciado, evitando migração completa para o ilegal. Operadores e reguladores devem acompanhar a composição do comitê e as negociações antes do vencimento da medida.
Reporting: Yogonet International
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