
A MP de veto às apostas esportivas gerou mais de 3.500 demissões em 14 dias, com projeção de 5.600 cortes em três meses e 4.167 trabalhadores em férias coletivas. Operadoras como H2Bet e Rivalo, além de agências e call centers, já reduziram equipes. O mercado ilegal avança enquanto a medida aguarda análise no Congresso e no STF.
SCCG Take — Operadores e reguladores devem priorizar o acompanhamento da tramitação no STF e no Congresso, pois a falta de clareza sobre a Lei 14.790/2023 acelera a migração para o ilegal e compromete a arrecadação prevista.
A medida provisória que proíbe as apostas esportivas no Brasil já causa efeitos diretos no emprego. Segundo a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), mais de 3.500 postos de trabalho foram eliminados em apenas 14 dias. Outros 4.167 funcionários permanecem em férias coletivas, com estimativa de 5.600 demissões adicionais nos próximos três meses, conforme publicado na Igaming Brazil.
Em 2025, o salário médio no setor era de R$ 7 mil, e a maior parte dos profissionais recebia acima de quatro salários mínimos, de acordo com a LCA Consultores. A fundadora da Associação de Mulheres da Indústria do Gaming (Amig), Natalia Nogues, resumiu o custo humano: “Por trás de cada número existe uma pessoa, uma trajetória profissional e, muitas vezes, uma família inteira”.
Os cortes atingem não só as equipes internas. A H2Bet dispensou 150 colaboradores e a Rivalo cerca de 100. Um call center em Curitiba desligou 500 atendentes que serviam uma operadora. A agência Alob Sports, responsável por ativações do Flamengo, reduziu sua equipe com dezenas de rescisões contratuais. O diretor da Rivalo no Brasil, Daniel Eskinazi, explicou em entrevista ao UOL que parte do time foi mantida: “A empresa mantém colaboradores para uma eventual retomada das operações, caso o mercado volte a ser regulado”. Já o CEO da H2Bet, Ueltom Lima Gomes, alertou que mais de 50 páginas ilegais usam o nome da marca de forma criminosa.
Esta MP, que ainda precisa de análise no Congresso Nacional para virar lei e enfrenta questionamento no Supremo Tribunal Federal (STF), altera o ambiente criado pela Lei 14.790/2023, que havia regulado as apostas de quota fixa e definido alíquotas de tributação. A fonte não esclarece o mecanismo exato de interação com normas da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA/MF) nem o impacto projetado sobre a arrecadação federal. Por isso, permanece desconhecido o cronograma de eventual retomada ou o efeito sobre operadores que já investiram em compliance e licenças. A migração de apostadores para plataformas clandestinas, destacada pelos executivos, pode reduzir a base tributável que a lei de 2023 buscava formalizar, ampliando riscos para reguladores e investidores que aguardam definição final sobre a vigência da proibição.
O setor segue em compasso de espera, com novas demissões preparadas diante da incerteza sobre conversão da MP em lei permanente.
Reporting: Yogonet Brasil
Generated by SCCG’s automated editorial system from published source reporting. SCCG Management holds editorial responsibility.
Gaming, betting and prediction markets — the desk’s read, every weekday.
Subscribe →