
A IBIA alerta que a proibição via medida provisória de 25 de setembro desmonta a rede de integridade esportiva no Brasil e transfere R$ 25 bilhões ao mercado ilegal. O relatório aponta apagão de dados e perda de 25 alertas emitidos no primeiro ano regulado, com futebol concentrando 51 dos 68 casos até 2025.
SCCG Take — O alerta da IBIA expõe o custo de integridade da proibição total. Reguladores brasileiros precisam definir como preencher o vácuo de monitoramento para evitar escalada de riscos em modalidades como futebol.
A International Betting Integrity Association (IBIA) adverte que a proibição das apostas no Brasil, por meio de medida provisória assinada em 25 de setembro, desmontou imediatamente a rede de proteção contra manipulações no esporte nacional. O relatório técnico, sustentado por cálculos da H2 Gambling Capital, estima transferência de R$ 25 bilhões para plataformas clandestinas. Como reportado pelo iGaming Brazil, a decisão ocorreu no exato momento em que o ecossistema de integridade alcançava o maior nível de precisão diagnóstica, mantido por mais de 90 operadoras que fiscalizavam milhões de eventos anualmente.
O encerramento do modelo regulado paralisou os instrumentos de controle coordenados pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA/MF). A IBIA avalia que essa interrupção provoca um “apagão de dados” nas investigações de irregularidades. Autoridades esportivas deixam de receber relatórios sobre movimentações financeiras fora do padrão, perdem o acesso a estatísticas oficiais e abrem espaço para que grupos ilegais atuem sem rastros.
Durante o período regulado, as empresas precisavam adotar tecnologias de reconhecimento facial (KYC) para confirmar identidades e comunicar qualquer comportamento suspeito aos sistemas globais. Sem esse compartilhamento, a prevenção falha de forma estrutural. O documento ressalta que o aumento de notificações registrado neste ano não indica alta na corrupção, mas reflete o funcionamento dos mecanismos de detecção que agora são eliminados.
No primeiro ano com regras ativas, o sistema emitiu 25 avisos de atividades suspeitas. Entre 2021 e 2024, a média anual foi de 11 registros, com 11 casos em 2021, 14 em 2022, 11 em 2023 e sete em 2024. Até 2025, o futebol liderou com 51 dos 68 alertas, seguido por basquete e tênis com seis cada. O relatório não detalha o cronograma de aplicação da medida provisória nem como a SPA/MF pretende recompor a capacidade de monitoramento perdida. Permanece desconhecido o impacto exato sobre eventuais operadores remanescentes, o volume real de recursos que deixam de ser rastreados e a resposta institucional a esse vácuo de integridade no curto prazo. Operadores e reguladores terão de acompanhar os desdobramentos para avaliar se novas ferramentas de supervisão serão criadas ou se o risco de fraudes em competições nacionais aumentará de forma permanente.
Reporting: iGaming Brazil
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