
A ANJ reportou crescimento de 12% nos stakes franceses para €11,52 bilhões em 2025, com GGR de €1,766 bilhão. Jogadores excessivos concentraram mais de 80% das apostas em ligas de nicho, incluindo as do Brasil. O padrão acende alerta para proteção ao apostador em competições ao vivo.
SCCG Take — Para o Brasil, indica que a SPA/MF pode precisar reforçar algoritmos de risco sob a Lei 14.790/2023, monitorando ligas locais para evitar replicação de padrões franceses.
A Autorité Nationale des Jeux (ANJ) divulgou relatório sobre o mercado francês de apostas esportivas online em 2025, revelando crescimento robusto mesmo sem eventos esportivos de grande escala. Os stakes junto a operadores licenciados subiram 12% para €11,52 bilhões, com GGR de €1,766 bilhão, alta de 10,4%. O futebol respondeu por 54,9% do volume, ou €6,32 bilhões, enquanto o tênis representou 23%, ou €2,65 bilhões.
O número de contas ativas cresceu 7,9% para 5,27 milhões e o de jogadores únicos aumentou 8,6% para 3,65 milhões. O stake médio anual por apostador atingiu €3.159, alta de 25% desde 2020. Conforme reportado pela iGaming Business, o regulador francês identificou padrões preocupantes entre jogadores de risco.
A ANJ classificou jogadores em quatro categorias de risco e observou que mais de 80% das apostas de perfis excessivos ou manifestamente excessivos foram direcionadas a ligas do Brasil, Arábia Saudita, Japão e Austrália, competições de baixo apelo recreativo. Entre 80% e 89% das apostas em resultados parciais, como meio-tempo ou sets de tênis, partiram desses mesmos perfis.
Em 2024, o centro de monitoramento francês estimou 1,17 milhão de pessoas com comportamento problemático, das quais 360 mil classificadas como excessivas. O regulador observou que o padrão não indica maior potencial de vício nas competições, mas reflete ausência de apostadores casuais, o que pode justificar medidas extras de proteção por tipo de evento ou aposta.
A Lei 14.790/2023, que regula as apostas de quota fixa no Brasil sob supervisão da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA/MF), exige mecanismos de jogo responsável e monitoramento de riscos. O fato de ligas brasileiras aparecerem como foco principal de jogadores excessivos na França sinaliza possível vulnerabilidade compartilhada em competições locais, especialmente em apostas ao vivo, que chegaram a 50%-58% do volume em ligas secundárias no mercado francês.
O mecanismo de conexão está no uso de algoritmos de classificação de risco: dados como os da ANJ podem antecipar ajustes na aplicação de normas da SPA/MF para detecção precoce de padrões semelhantes no Brasil, influenciando requisitos de licença e relatórios à Receita Federal. No entanto, o relatório não apresenta dados sobre comportamento de apostadores ou operadores brasileiros, deixando desconhecido o tamanho real do fenômeno local ou eventuais impactos tributários.
Operadores devem avaliar se ferramentas equivalentes de monitoramento já estão alinhadas com a lei vigente para evitar surpresas regulatórias à medida que o mercado brasileiro amadurece.
Reporting: iGaming Business (iGB)
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