
O Centrão planeja alterar a MP que proibiu bets e jogos online, com foco em liberar apostas esportivas após 25 de outubro. São 48 emendas apresentadas, incluindo propostas de Bebeto (PP-RJ) para restringir a proibição ao mercado ilegal. O setor pagou quase R$ 9 bilhões em impostos em 2025.
SCCG Take — Operadores e reguladores devem monitorar a comissão de novembro, pois a mudança pode reabrir o mercado sob a Lei 14.790/2023 e preservar a arrecadação tributária.
Integrantes do Centrão buscam alterar no Congresso Nacional a Medida Provisória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que proibiu as apostas esportivas e os jogos online. A estratégia, conforme reportagem da Folha de S.Paulo, é retomar as discussões após o segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro.
A ideia central é manter a proibição de cassinos online, mas liberar novamente as apostas esportivas. A movimentação envolve parlamentares próximos a casas de apostas, à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e a clubes de futebol, que buscam alternativas à suspensão total do setor.
O prazo para apresentação de emendas à MP foi prorrogado até 13 de outubro pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). A medida provisória já recebeu 48 emendas.
O deputado Bebeto (PP-RJ) protocolou quatro emendas para defender o funcionamento das bets e concentrar a proibição apenas no mercado ilegal, sem autorização do Ministério da Fazenda.
“É onde se concentram os riscos reais ao consumidor, à integridade esportiva e à arrecadação pública. A experiência internacional e a própria trajetória recente do Brasil mostram que a proibição ampla não elimina a demanda por apostas”, afirma.
Representantes das empresas argumentam que permitir apenas as apostas esportivas não bastaria para preservar patrocínios e arrecadação, pois os cassinos online representariam cerca de 70% do lucro das companhias. As empresas pagaram quase R$ 9 bilhões em impostos, como noticiou a Yogonet Brasil.
A possibilidade de vitória de Flávio Bolsonaro (PL) é vista como favorável à mudança, mas há espaço para negociação mesmo se Lula for reeleito, com ênfase nos impactos sobre patrocínios esportivos, publicidade e receitas do setor.
Esta articulação se conecta diretamente à Lei 14.790/2023, que regulamentou as apostas de quota fixa e definiu regras de tributação e fiscalização pelo Ministério da Fazenda. O mecanismo de impacto é que uma eventual flexibilização da MP poderia permitir a retomada das operações por operadores autorizados pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA/MF), restabelecendo fluxos de patrocínios e a arrecadação tributária de quase R$ 9 bilhões.
Isso afetaria a estabilidade do mercado legal, a integridade esportiva e a capacidade de a Receita Federal captar tributos previstos na lei. No entanto, a fonte não detalha como se daria a harmonização entre a MP modificada e as normas existentes da Lei 14.790/2023, nem o cronograma de aplicação caso as emendas avancem na comissão prevista para novembro.
A tramitação legislativa definirá o alcance real dessa flexibilização e seus efeitos sobre o setor.
Reporting: Yogonet Brasil
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