
A MP 1.394 resultou em mais de 3,5 mil demissões no setor de apostas, ou 23% da força de trabalho. A ANJL projeta 5,6 mil cortes em 90 dias e 4.167 funcionários em férias coletivas. O julgamento da liminar no STF, relatado por Luiz Fux, é aguardado com urgência.
SCCG Take — O impacto na cadeia de empregos reforça a urgência de segurança jurídica para o setor regulado de apostas no Brasil.
Mais de 3,5 mil trabalhadores já foram dispensados pela indústria de apostas desde a edição da Medida Provisória 1.394, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que proibiu as bets legalizadas no país. O número representa 23% de toda a força de trabalho do setor e integra levantamento parcial da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), com base em dados enviados pelas empresas, conforme reportagem do iGaming Brazil.
O total de desligamentos supera as 3,3 mil demissões anunciadas no último mês pela maior empresa de aplicativos de mobilidade urbana do mundo. Além dos cortes já realizados, 4.167 funcionários estão em férias coletivas. A projeção da ANJL é que as demissões alcancem 5,6 mil trabalhadores em 90 dias, o equivalente a 37% do total.
O levantamento abrange desligamentos e encerramentos de contratos a partir de 25 de setembro, data do anúncio da MP. O prazo para envio das respostas pelos operadores à ANJL terminou nesta quarta-feira (7).
Plínio Lemos Jorge, presidente da ANJL, afirmou: “Precisamos de números reais para dimensionar os efeitos da medida sobre os trabalhadores e as empresas que dependem da atividade”. Ele acrescentou: “Não é à toa que usamos o termo ‘indústria de apostas’ porque realmente é isso. O setor abrange diversas empresas, como as de meios de pagamento, marketing, compliance, agências, afiliados e veículos de comunicação especializados”.
Jorge acrescentou: “Cada uma dessas famílias está vendo um dos seus membros perder o emprego por uma decisão inconstitucional e que ainda será julgada pelo Supremo Tribunal Federal”. A apreciação da liminar que pede a suspensão da MP ganha urgência, pois pode transformar parte das férias coletivas em demissões efetivas.
Criada em março de 2023, a ANJL defende os interesses dos associados, do setor e do jogo responsável, com foco no incentivo ao esporte, na segurança das apostas e no desenvolvimento econômico do país. Entre os membros estão Aposta Ganha Loterias, Fast Gaming, OiG Gaming Brazil, Ana Gaming Brasil, Esportes Gaming Brasil e outras 25 empresas listadas no comunicado.
Reporting: iGaming Brazil
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