
O governo detectou 48 contas de apostas acima de R$ 500 mil cada, com indícios de lavagem de dinheiro. Após veto via MP, saldos totais caíram de R$ 2,1 bilhões para R$ 1,4 bilhão e movimentações diárias zeraram. Prazo para saques encerra em 5 de outubro, com ações judiciais em curso no STF.
SCCG Take — O maior escrutínio sobre contas atípicas reforça a necessidade de compliance rigoroso. Operadores regulados enfrentam risco de migração para o clandestino, exigindo vigilância regulatória contínua.
O governo federal identificou 48 contas em casas de apostas com saldo superior a R$ 500 mil cada. O achado, divulgado na sexta-feira (2/10) pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, sugere possível prática de lavagem de dinheiro e será investigado pela Polícia Federal.
Durigan destacou que as movimentações destoam do padrão geral do setor. Ele afirmou que “não estou dizendo que todas são [lavagem de dinheiro], mas há uma movimentação que discrepa do grosso das contas que tinham recurso em apostas, e podem sim estar sujeitas a alguma investigação”.
Após a medida provisória que vetou as casas de apostas esportivas e cassinos online em 25 de setembro, o saldo total nas operadoras legalizadas recuou de R$ 2,1 bilhões para R$ 1,4 bilhão. As movimentações diárias, que chegavam a R$ 600 milhões, caíram a zero. O governo derrubou 10 mil sites clandestinos desde a vigência da norma, com ações que ocorrem em poucas horas.
Uma força-tarefa envolvendo Fazenda, Justiça e Esporte atua contra influenciadores e grupos que promovem apostas irregulares. O Ministério da Justiça estima que 3,5 milhões de pessoas deixaram de ser expostas a essa publicidade. O Banco Central mapeia migração de transações via Pix para outros setores da economia.
Apostadores têm até 5 de outubro para retirar os valores depositados. Depois dessa data, a devolução será feita por bancos e, em último caso, pela Caixa Econômica Federal. Empresas do setor protocolaram pedido no Supremo Tribunal Federal para anular a medida provisória e restaurar as autorizações de 2024. O segmento alerta para o risco de migração de usuários para plataformas clandestinas.
Como reportado pela BNLData, o contraste entre a proibição recente e a regulamentação anterior gera incerteza no mercado. As investigações sobre as 48 contas devem avançar para esclarecer as movimentações atípicas.
Reporting: BNLData
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