
O setor de apostas discute ações simultâneas no STF, TCU e Congresso para derrubar a MP 1.394/2026 que proibiu bets de quota fixa. Painel em Lisboa destacou caráter político da medida, 6 mil sites ilegais identificados e demissões em mais de dez empresas. ANJL e IBJR já protocolaram pedidos de suspensão.
SCCG Take — A mobilização pode preservar o marco da Lei 14.790/2023, mas operadores precisam intensificar advocacy político para evitar danos permanentes ao mercado regulado.
O setor de apostas no Brasil organiza ofensiva simultânea no Supremo Tribunal Federal (STF), no Tribunal de Contas da União (TCU) e no Congresso Nacional para reverter a Medida Provisória 1.394/2026, que proibiu as apostas de quota fixa. As estratégias foram debatidas em 29 de setembro durante edição extraordinária do SBC Meetup – Regulamentação Brasil, no SBC Summit Lisboa, conforme reportagem da Yogonet Brasil.
O painel reuniu executivos e advogados, incluindo Leonardo Baptista, Ana Bárbara Teixeira, Bárbara Teles, Bernardo Freire e Michael Lopes Stewart. A MP exige apreciação congressional em até 120 dias para conversão em lei ou caducidade, mas seus efeitos já determinam o encerramento de operações autorizadas.
A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) protocolaram ações no STF para suspender os efeitos da medida. Bernardo Freire afirmou que a MP tem caráter “político, não técnico” e contestou a ausência de estudo de impacto e de análise prévia do Ministério da Fazenda. Há expectativa de decisão liminar na semana seguinte ao primeiro turno das eleições.
Ana Bárbara Teixeira indicou que o setor levará ao TCU questionamentos sobre falta de estimativa de impacto fiscal e destinação à União de valores não sacados por apostadores. Michael Lopes Stewart defendeu atuação coordenada nas esferas jurídica, política e social, com ênfase na comissão mista que analisará a MP.
Leonardo Baptista relatou que a PayForFun, instituição de pagamento autorizada pelo Banco Central, foi procurada por empresas estrangeiras interessadas em adquirir licença para atuar no mercado ilegal. O painel identificou cerca de 6 mil sites ilegais em quatro dias, incluindo clones de marcas autorizadas. Documento da ANJL e IBJR citou levantamento do observatório Bet Legal com 833 novos sites ilegais desde a proibição, ressalvando a necessidade de verificar a metodologia.
Bárbara Teles informou que mais de dez empresas já iniciaram demissões e cortes após a publicação da medida. Ela reconheceu falhas de comunicação do setor, que não conseguiu demonstrar à sociedade as diferenças em relação às operações ilegais.
A Medida Provisória 1.394/2026 interfere diretamente na Lei 14.790/2023, que regulamentou as apostas esportivas de quota fixa e instituiu o regime de autorização pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA/MF). Enquanto a lei de 2023 estruturou o mercado legal com exigências de compliance e tributação, a MP impõe paralisação imediata das atividades autorizadas, acelerando a migração para plataformas não reguladas.
O mecanismo de conexão reside no prazo de 120 dias para análise congressional: a não conversão da MP em lei pode restaurar o ambiente previsto na Lei 14.790/2023, mas o intervalo permite danos irreversíveis como demissões e expansão do ilegal. A fonte não detalha dados da Receita Federal sobre arrecadação perdida nem normas específicas da SPA/MF sobre transição, o que deixa operadores e investidores sem projeções precisas de impacto fiscal ou prazos de retomada.
O desfecho das ações no STF e da comissão mista no Congresso definirá a estabilidade regulatória. Operadores devem monitorar as liminares e a composição política da comissão para calibrar investimentos e estratégias de advocacy, evitando que o vácuo regulatório consolide o mercado paralelo.
Reporting: Yogonet Brasil
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