
A proibição do iGaming elevou a participação offshore de 3,4% para 9,9% em dias, recorde desde 2025, enquanto afiliados das 20 principais marcas perderam 41,5% da cobertura, de 715 para 418 sites. O Brasil lidera a demanda global por iGaming em 142 países monitorados. O ecossistema regulado começa a encolher mesmo com saques ainda permitidos.
SCCG Take — O salto offshore e a contração de afiliados mostram que a proibição acelera migração para o não regulado. Afiliados precisam diversificar mercados imediatamente para evitar multas de até 10% do faturamento.
Dados da Blask publicados pela BNLData revelam os impactos iniciais da proibição do iGaming no Brasil, maior mercado mundial em demanda de usuários. Desde o lançamento do mercado regulado em 1º de janeiro de 2025, as marcas licenciadas mantinham mais de 96% do interesse total. Quatro dias após a publicação da medida, a fatia das offshore se aproximou de 10%, enquanto a cobertura de afiliados das marcas mais promovidas despencou 41,5% em uma semana.
Entre 1º de janeiro de 2025 e 24 de setembro de 2026, as marcas offshore representaram em média 3,9% da demanda medida pelo Índice Blask. Um dia antes da proibição, o percentual era de 3,4%. Após a publicação, o indicador subiu diariamente até atingir 9,9% em 29 de setembro. Esse foi o maior valor diário registrado desde o início da regulação. A migração de usuários para opções não licenciadas ocorreu de forma acelerada nos primeiros dias.
A proibição abrange também intermediação e publicidade, encerrando na prática o mercado regulado de afiliados. Até 29 de setembro, as 20 marcas mais promovidas tinham cobertura combinada em 418 sites, ante 715 uma semana antes. Todas perderam presença. A Bet365 caiu de 60 para 31 sites. A Stake se tornou a mais promovida, com cobertura reduzida de 51 para 38. A Betano, líder do país em demanda de usuários, estava presente em 33 sites, 15 a menos do que na semana anterior.
Luiz Felippe Correia de Almeida, CEO da Smart Social, explicou que a medida proíbe links de afiliados, publicações patrocinadas e códigos promocionais, independentemente do modelo de remuneração. “Os afiliados que dependem exclusivamente do Brasil estão sob maior pressão”, afirmou. Para ele, a diversificação para outros mercados geográficos é o movimento natural, pois continuar direcionando conteúdo ao público brasileiro por canais alternativos expõe a multas de até 10% do faturamento do grupo. Embora os sites licenciados ainda operem para saques, o ecossistema ao redor já encolhe. O crescimento offshore sinaliza que o enforcement regulatório precisará de ajustes rápidos para conter a reversão de ganhos obtidos desde 2025.
Reporting: BNLData
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