
A ANJL contestou a relação direta entre a queda de 10% nas transações Pix após a MP e a proibição das bets. Sua análise mostra redução prévia de 7% a 12% e, em comparação por dias equivalentes, queda de apenas 3,0% no volume de transações com alta de 3,7% nos valores. A entidade critica a metodologia do Banco Central por não ajustar oscilações naturais.
SCCG Take — Os dados indicam que impactos regulatórios exigem análises calendário-equivalentes para evitar atribuições precipitadas. Operadores e reguladores devem priorizar métricas ajustadas para debates embasados sobre o mercado de apostas.
A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) se pronunciou sobre os dados do Banco Central que indicaram queda de 10% nas transações via Pix nos dias seguintes à medida provisória que proibiu o mercado regulado de apostas de quota fixa. Segundo análise da entidade, a redução já era registrada antes da medida e não pode ser atribuída automaticamente à proibição das bets, como reportado pela Yogonet Brasil.
Os números do Sistema de Pagamentos Instantâneos mostram que, entre 22 e 24 de setembro, antes do anúncio, as transações via Pix já estavam entre 7% e 12% abaixo da referência. Em valores movimentados, a redução variava entre 14% e 27%. O Banco Central informou queda de 10% nos dias 26, 27 e 28 de setembro, em comparação com a média dos mesmos dias das quatro semanas anteriores.
A ANJL argumenta que a comparação do Banco Central não considera adequadamente as oscilações naturais do volume de transações ao longo do mês, especialmente a proximidade do fim do mês, quando parte da população estaria mais restrita financeiramente para pagamentos à vista como o Pix. A entidade propôs confrontar o quarto sábado de agosto e os dois dias seguintes com os equivalentes de setembro.
Nesse recorte, o número de transações Pix passou de 627,6 milhões para 608,6 milhões, redução de 3,0%. O valor total movimentado, porém, cresceu 3,7%, de R$ 177,1 bilhões para R$ 183,7 bilhões. “Os números mostram, portanto, que houve menos transações, mas não menos dinheiro circulando pelo sistema. Enquanto a quantidade de operações recuou 3,0%, o volume financeiro movimentado cresceu 3,7%”, explica o presidente da ANJL, Plínio Lemos Jorge.
Plínio Lemos Jorge defendeu que o percentual de 10% divulgado pelo Banco Central toma como referência a média das quatro semanas imediatamente anteriores, sem neutralizar completamente as diferenças de comportamento do Pix entre as semanas. A análise da ANJL sustenta que, ao comparar dias equivalentes do calendário, a redução no número de transações é menor e não há queda no valor financeiro movimentado.
“Os dados disponíveis não permitem atribuir automaticamente a redução das transações Pix à proibição do mercado regulado de apostas. A série já apresentava queda antes da medida e, quando se comparam períodos equivalentes do calendário, a variação é menor e o volume financeiro movimentado aumenta”, concluiu o presidente da ANJL. Essa abordagem reforça a necessidade de metodologias mais precisas para avaliar impactos regulatórios.
Reporting: Yogonet Brasil
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