
A H2 Gambling Capital estima que a proibição pode provocar a migração de aproximadamente R$ 25 bilhões por ano do mercado regulado para operadores ilegais. Aproximadamente 60% do volume de cerca de R$ 40 bilhões projetado para 2026 continuaria sendo apostado em plataformas ilegais. O setor regulado está tentando reverter a proibição no Supremo Tribunal Federal (STF).
SCCG Take — A migração destaca o risco de enforcement ineficaz. Reguladores devem priorizar bloqueio de pagamentos offshore para limitar o crescimento do ilegal de volta aos níveis pré-Lei das Apostas.
A proibição das apostas online no Brasil pode transferir aproximadamente R$ 25 bilhões por ano do mercado regulado para operadores ilegais. A estimativa foi divulgada pela H2 Gambling Capital na terça-feira, 29 de setembro, após a assinatura da Medida Provisória nº 1.394/2026, em 25 de setembro. Antes da proibição, a consultoria projetava R$ 40 bilhões para o mercado regulado em 2026, com cerca de 60% desse volume migrando para plataformas offshore.
A H2 aponta um desvio de R$ 25 bilhões para o mercado offshore, enquanto R$ 15 bilhões deixariam de ser movimentados no curto prazo. Considerando margens de incerteza, a faixa estimada fica entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões transferidos para ilegais, o equivalente a 50%–75% do antigo mercado legal, conforme reportado pela SBC Notícias. O resultado dependerá da capacidade das autoridades de bloquear pagamentos a sites offshore e do tempo que a proibição permanecerá em vigor.
O setor regulado busca reverter a medida no Supremo Tribunal Federal (STF). Paralelamente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou decreto em 28 de setembro criando comitê interministerial para fiscalizar as apostas online. A H2 estima que 30% do mercado já era offshore antes da proibição, cerca de R$ 17 bilhões, o que poderia elevar o volume ilegal para R$ 42 bilhões.
As projeções utilizam pesquisa da H2 com 2.451 apostadores online brasileiros realizada em novembro de 2025. No levantamento, 39% dos entrevistados usavam sites não licenciados, responsáveis por cerca de 60% dos gastos declarados. A consultoria também considera a experiência da Holanda, onde aproximadamente metade da redução de gastos no mercado regulado após mudanças tributárias e limites de depósito migrou para plataformas offshore.
O cenário brasileiro pode ser mais acentuado, pois a proibição completa elimina a possibilidade de o apostador permanecer no ambiente regulado. As estimativas indicam que o mercado ilegal retornaria aos cerca de R$ 41 bilhões registrados em 2024, antes da Lei nº 14.790/2023. A medida provisória vale por 120 dias e precisa de aprovação pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal para se converter em lei.
Reporting: SBC Noticias Brasil
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