
O MJSP solicitou a derrubada de 5.209 domínios de bets ilegais, mas a Anatel determinou bloqueio de apenas 45,8%. A Legitbet da ANJL registrou média diária de 914 novos sites ilegais, com pico de 3.094 após a MP. Os dados confirmam a dificuldade de enforcement federal contra operações não autorizadas.
SCCG Take — O volume contínuo de novos sites ilegais pressiona o mercado regulado e exige mecanismos mais ágeis de bloqueio. Reguladores e operadores devem priorizar soluções técnicas que reduzam o tempo entre detecção e remoção efetiva.
Dados divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) na tarde desta terça-feira (29), expõem a dificuldade operacional do Governo Federal em eliminar as bets ilegais no Brasil. O ministério solicitou a derrubada de 5.209 domínios de apostas, mas a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) determinou o bloqueio de apenas 45,8% deles, ou 2.387 endereços. O MJSP não informou o número de domínios efetivamente removidos.
A falta de dados concretos sobre bloqueios efetivos foi notada durante coletiva interministerial, conforme reportado pela BNLData. Quando questionado sobre quantos dos 5.209 sites foram de fato derrubados, o governo respondeu apenas que o bloqueio havia sido solicitado. Essa resposta revela limitações técnicas, pois novos domínios surgem rapidamente após qualquer ação.
A plataforma Legitbet, mantida pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), identificou 894 novos sites ilegais na segunda-feira, 28 de setembro. A média diária nos últimos sete dias chegou a 914 novos endereços. No domingo seguinte à edição da Medida Provisória, o volume atingiu 3.094 novos sites, cerca de 67 vezes o registrado no domingo anterior. Entre 22 e 28 de setembro, foram confirmados 6.401 novos sites ilegais e 811 links em canais monitorados.
Plínio Lemos Jorge, presidente da ANJL, explicou: “Quem assistiu à coletiva interministerial desta terça-feira (29) pôde perceber que, quando o governo é questionado sobre quantos dos 5.209 sites foram efetivamente bloqueados, não há resposta. A resposta é sempre a mesma: de que o bloqueio foi solicitado. Essa ausência de informação mostra que os próprios ministérios e a Anatel reconhecem que não conseguem derrubar esses sites porque minutos depois surgem outros, em outros endereços”. Os números reforçam a persistência do problema mesmo após esforços conjuntos do MJSP, do Ministério da Fazenda e da Anatel.
Reporting: BNLData
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