
Lula assinou MP em 25 de setembro de 2026 proibindo bets online, cassinos e publicidade, com fim de patrocínios a partir de 5 de outubro. O ciclo desde a lei de 2018 durou menos de oito anos, com boom em 2024-2025 e arrecadação de R$ 8,8 bilhões. Clubes perdem R$ 1,1 bilhão e negociam crédito via BNDES.
SCCG Take — A volta à ilegalidade eleva riscos para operadores e reduz visibilidade no futebol. Reguladores devem avaliar se o veto total contém manipulação ou apenas desloca o problema para plataformas sem controle.
Na tarde de 25 de setembro de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou medida provisória que proíbe a operação de apostas e cassinos online, além da publicidade do setor. Os contratos de patrocínio devem ser encerrados a partir de 5 de outubro. O impacto no futebol é direto: 13 dos 20 clubes da Série A têm uma bet como patrocinadora máster, com repasses previstos em R$ 1,1 bilhão nesta temporada.
A norma fecha um ciclo curto. A lei que liberou as apostas esportivas é de dezembro de 2018. A regulamentação veio com a MP de julho de 2023, e o mercado regulado começou apenas em janeiro de 2025. Em nove meses de 2026, o setor foi desmontado. Conforme a reportagem da Máquina do Esporte, que reconstruiu o caminho a partir de mais de 700 textos desde 2018, o período regulado durou apenas 12 meses.
As bets entraram no futebol antes mesmo da Lei 13.756, sancionada por Michel Temer em 12 de dezembro de 2018. Em 2019, o Fortaleza foi o primeiro clube a estampar uma bet na camisa. Até 2022, o setor dominou patrocínios mesmo na informalidade: a Sportingbet comprou naming rights da Série B, a Galera.bet virou patrocinadora do Brasileirão e a Betnacional fechou cota da Globo por R$ 240 milhões. O governo Bolsonaro não regulamentou no prazo final, citando eleitorado evangélico.
Em 2023, a Operação Penalidade Máxima, que investigou manipulação na Série A e B, destravou as regras. A MP de Lula, em julho, taxou o GGR em 18%. A Lei 14.790 foi sancionada no fim do ano. Em 2024, veio o auge: patrocínio de R$ 370 milhões da VaideBet ao Corinthians, 100% dos clubes da Série B com bets e 113 pedidos de licença. O primeiro semestre de 2025 registrou R$ 17,4 bilhões movimentados e R$ 8,8 bilhões arrecadados pelo governo no ano regulado, com 25 milhões de CPFs apostando e R$ 36,9 bilhões em volume.
A proibição surge após excessos de publicidade na Copa do Mundo, escândalos como o indiciamento de Augusto Melo no caso VaideBet e preocupação com beneficiários de programas sociais. O governo enviou projeto ao Congresso que torna crime oferecer apostas online, com pena de quatro a seis anos, e dois a quatro anos para publicidade. Clubes das Séries A e B, articulados pela CBF, negociam linha de crédito subsidiada via BNDES. O socorro deve sair após o segundo turno, em 25 de outubro. Os contratos com bets representam em média 7% das receitas dos clubes da elite.
A medida tem prazos curtos: apostadores resgatam saldos até 23h59 de 5 de outubro, com devolução entre 9 e 14 de outubro. Sites serão bloqueados depois. O Congresso tem 120 dias para votar a MP, entre janeiro e fevereiro de 2027. A ANJL alerta que a proibição não elimina a demanda, que pode migrar para plataformas estrangeiras sem fiscalização. Precedente dos bingos nos anos 1990 mostra que o apagão previsto nem sempre ocorre.
O que vem agora é incerteza regulatória e pressão por alternativas de receita no futebol. A proibição total, motivada por integridade e aceno conservador, expõe limitações de um ciclo que priorizou arrecadação rápida sem resolver riscos estruturais como manipulação e mercado ilegal persistente. Operadores e clubes precisam mapear migração de apostas e opções de financiamento imediato para evitar perdas maiores até a votação final.
Reporting: Maquina do Esporte
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