
A Medida Provisória nº 1.394/2026 proíbe apostas de quota fixa, encerrando o mercado regulado que o Estado supervisionava. O ilegal, que já era de 38% a 44% das apostas, pode atrair mais de 30 milhões de jogadores. O foco passa a ser bloqueios, rastreamento financeiro e comitê interinstitucional para conter a migração.
SCCG Take — A proibição elimina a visibilidade e os controles existentes, transferindo o desafio para o combate ao ilegal e reduzindo a proteção ao jogador. Reguladores devem priorizar dados concretos de comportamento nos próximos meses para medir a efetividade real da medida.
O governo brasileiro publicou a Medida Provisória nº 1.394/2026 em 25 de setembro, proibindo a operação, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa, incluindo apostas esportivas e jogos online. A decisão altera completamente o cenário de apostas no país, eliminando o mercado autorizado que podia ser identificado, supervisionado e tributado, enquanto reforça o combate a plataformas clandestinas. Segundo reportagem da Zona de Azar, o mercado ilegal já existia antes da proibição e representava parcela significativa da atividade.
O estudo da LCA Consultores e Instituto Locomotiva, encomendado pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), estimou que entre 38% e 44% das apostas online no primeiro semestre de 2026 ocorriam em plataformas clandestinas. O próprio governo já atuava contra essa oferta: em 24 de setembro, o Ministério da Justiça removeu 1.367 páginas e perfis no Facebook e Instagram que promoviam operadores irregulares. Desde 2024, o Ministério da Fazenda bloqueou mais de 60 mil sites relacionados a apostas. A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) projeta que a medida pode direcionar mais de 30 milhões de apostadores ao mercado ilegal. A Medida Provisória cria ainda um Comitê Interinstitucional para a Supervisão da Operação Ilegal e Publicidade de Apostas de Quota Fixa, sinalizando que o combate ao ilegal será central.
Operadores autorizados possuíam nome, domínio identificável, responsáveis contábeis, obrigações tributárias, mecanismos de jogo responsável, controles de lavagem de dinheiro e supervisão da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA). Já os clandestinos operam sem autorização, sem pagamento de outorga e sem submissão voluntária a regras ou fiscalização, podendo atuar de fora do Brasil. Com o fim do mercado legal visível, incluindo os domínios .bet.br, a linha divisória desaparece. A Zona de Azar ressalta que a questão fundamental é para onde vai a demanda dos jogadores que quiserem continuar apostando, quem estará por trás das plataformas, como o dinheiro circulará e a quem recorrer em caso de problemas. O resultado da política será medido pelos dados reais nos próximos meses: se a demanda cai ou se o ilegal ganha espaço, tornando o Brasil um laboratório para a indústria global. Controlar toda a oferta no subterrâneo pode revelar-se mais complexo do que regular a atividade visível.
Reporting: Zona de Azar
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