
SCCG Take — Operadores e clubes devem priorizar advocacy pela canalização e controles rigorosos, evitando que restrições amplas beneficiem apenas o mercado clandestino e comprometam receitas e empregos no setor.
O futebol brasileiro pode perder mais de R$ 1 bilhão por ano em patrocínios caso o governo federal edite medida provisória com restrições severas às bets e aos jogos online. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicou que pretende anunciar o texto nesta sexta-feira (25), com possibilidade de proibir cassinos online, incluindo os chamados jogos do tigrinho, e de endurecer as regras de publicidade. Em cenário extremo, a atividade poderia ser totalmente vetada no país, conforme reportagem do iGaming Brazil.
Clubes e federações reagiram com manifesto assinado por Flamengo, Fluminense, Botafogo, Vasco, Santos, Palmeiras, São Paulo, Corinthians, Cruzeiro e Atlético-MG, além das federações Paulista e Carioca. O documento defende a manutenção do mercado regulado, o fortalecimento da fiscalização, da educação e do combate às plataformas clandestinas. As equipes chegaram a citar o possível “fim do futebol brasileiro” diante da perda de investimentos.
As casas de apostas ocupam os espaços principais nas camisas da Série A. Somente os contratos com os clubes de elite movimentam mais de R$ 1 bilhão anualmente. Quatro acordos superam R$ 100 milhões por temporada: Flamengo e Betano (R$ 268,5 milhões), Corinthians e Esportes da Sorte (R$ 150 milhões), São Paulo e Superbet (R$ 113 milhões) e Palmeiras e Sportingbet (R$ 100 milhões). Esses valores são os maiores da história de cada clube. As bets geraram quase R$ 10 bilhões em tributos para o governo durante 2025.
Bernardo Cavalcanti Freire, consultor jurídico da ANJL e sócio do Betlaw, afirma que “a única forma de bloquear os efeitos danosos é com regulamentação e educação em um negócio chamado canalização”. Ele alerta para erro conceitual do governo ao ver as bets como causa e não como consequência de problemas econômicos como endividamento. Estudo da ANJL projeta que a participação de sites ilegais pode subir de 41% para 82% se cassinos online forem proibidos nas empresas autorizadas.
João Fraga, CEO da Paag, ressalta que o mercado regulado gera mais de 10 mil empregos diretos e 5,5 mil indiretos, além de práticas de jogo responsável, proteção a menores e rastreabilidade financeira. Daniel Fortune, criador de conteúdo sobre conscientização, defende que a publicidade ajuda o consumidor a identificar plataformas legais, desde que siga as diretrizes da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA/MF) e do Conar.
As restrições amplas podem reduzir arrecadação, empregos e investimentos no esporte sem eliminar a demanda, fortalecendo apenas o mercado clandestino. Clubes e operadores precisam acompanhar o texto final da MP e preparar argumentos baseados em canalização e controle efetivo para preservar a atividade regulada.
Reporting: iGaming Brazil
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