
Pesquisa AtlasIntel revela que 36% culpam o governo Lula pelo avanço das bets, com 59,9% vendo apenas prejuízos e alto apoio a restrições como mais impostos e proibição. A ANJL contesta, apontando omissão sobre o mercado ilegal de até R$ 40 bilhões anuais estimado pelo TCU.
SCCG Take — O setor precisa reforçar ações de compliance e advocacy por regulação equilibrada, combatendo o ilegal para contrabalançar a opinião pública negativa e evitar restrições mais duras.
Uma pesquisa da AtlasIntel divulgada nesta quarta-feira (23/9) revela que 36% dos brasileiros responsabilizam o governo Lula pelo avanço das bets no país. O levantamento ouviu 5.015 eleitores entre 17 e 22 de setembro, com margem de erro de um ponto percentual e nível de confiança de 95%. Registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-04739/2026 e publicada pela Veja, a sondagem expõe percepção predominantemente negativa sobre as apostas esportivas, conforme reportado pela BNLData.
Os resultados indicam rejeição ampla. 59,9% dos entrevistados veem somente prejuízos nas bets, 28,6% apontam mais prejuízos que benefícios, 5,7% consideram ambos por igual e menos de 1% enxergam apenas ou mais benefícios. O apoio a medidas restritivas é alto: 84% são favoráveis a que as empresas paguem mais impostos, 79% apoiam limitação de publicidade e 75% defendem a proibição total.
Além disso, 66% afirmam que menores de 18 anos têm acesso facilitado às plataformas — percentual que se refere a sites clandestinos, já que as regulamentadas exigem KYC. Por fim, 88% rejeitam as apostas como forma de complemento de renda. No ranking de responsabilidade, o governo Lula lidera com 36%, seguido pelo governo Bolsonaro com 25,4%, o Congresso Nacional com 16,5%, não sei com 15%, nenhum com 6,4% e STF com 0,7%.
A Associação Nacional de Jogos e Loterias questionou as conclusões. A ANJL argumenta que o debate não deve se limitar a proibir ou não as bets, mas contemplar o fortalecimento da regulação, ampliação da fiscalização e melhoria dos mecanismos de proteção. A entidade destaca que a pesquisa não apresentou o dado do mercado ilegal, estimado pelo Tribunal de Contas da União entre 41% e 51% do volume total, o que pode representar até R$ 40 bilhões por ano.
Segundo a ANJL, avaliar proibição sem discutir para onde migraria a demanda do mercado regulado torna a análise incompleta. Um debate responsável deve apresentar alternativas e custos, incluindo o combate a crimes como lavagem de dinheiro e evasão fiscal. O histórico mostra que as bets foram autorizadas em 2018 no governo Temer, com regulamentação adiada até a lei sancionada em 2023 pelo atual governo.
Reporting: BNLData
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