
Coluna da iGaming Brazil discute riscos de MP que proíba cassinos online e restrinja apostas, podendo enfraquecer o mercado regulado criado pela Lei 14.790/2023. Com 85 empresas autorizadas e R$ 9,95 bilhões arrecadados, a migração para o ilegal reduz visibilidade e controle estatal. Ministro da Fazenda confirma ausência de decisão final.
SCCG Take — Operadores e reguladores devem exigir avaliação de impacto antes de qualquer MP, preservando a competitividade legal para manter consumidores visíveis e protegidos.
O governo brasileiro avalia uma Medida Provisória que pode proibir cassinos online e impor novas restrições ao mercado de apostas, conforme análise publicada pela iGaming Brazil. O ministro da Fazenda declarou que não há decisão final sobre o tema. Essa possibilidade transforma uma discussão legítima sobre saúde pública, publicidade e integridade em risco de tornar o setor regulado inviável, especialmente com viés eleitoral.
A Lei 14.790/2023 criou as bases do mercado regulado de apostas de quota fixa, com autorização, fiscalização, prevenção à lavagem de dinheiro e regras de jogo responsável. Em 2025, segundo dados do próprio Ministério da Fazenda, 80 empresas foram autorizadas a operar, reportando 25,2 milhões de brasileiros participantes de apostas. O processo de autorização também gerou aproximadamente R$ 9,95 bilhões em impostos e taxas regulatórias. Até agosto de 2026, o número de empresas habilitadas chegou a 85.
Restringir esses operadores não elimina a demanda. O consumidor migra para alternativas ilegais, onde o Estado perde ferramentas como KYC, verificação de idade, limites de apostas e cobrança de tributos. A Secretaria de Prêmios e Apostas publicou portaria em setembro para ampliar o combate ao mercado irregular, com bloqueio de contas e interrupção de fluxos financeiros. Cerca de 31 milhões de pessoas estão ativas no Sistema de Gestão de Apostas, sendo 10% impedidas por autoexclusão ou dívidas.
O exemplo do jogo do bicho, proibido há mais de oito décadas, mostra que a proibição não acaba com a atividade. No digital, o Ministério da Fazenda pediu a retirada do ar de mais de 60 mil sites ilegais. São cerca de 3.000 por mês. 100 por dia. Empresas autorizadas investiram em compliance, patrocínios esportivos e estruturas de operação. Alterações abruptas geram preocupações com judicialização e perda de arrecadação, como reportado pela Reuters.
Esta análise se liga diretamente à Lei 14.790/2023, que estruturou a autorização e a tributação do setor. O mecanismo é que restrições ao mercado legal podem reduzir a visibilidade da SPA/MF, aumentar a migração para o ilegal e comprometer a arrecadação e a proteção ao consumidor previstas na norma. A fonte não detalha impactos específicos na alíquota vigente ou no PL 2.258/2026, nem define cronograma de aplicação, mas sinaliza que o efeito líquido pode ser perda de controle em vez de ganho social.
Qualquer medida deve ser avaliada por dados concretos sobre tamanho do mercado ilegal pós-restrição, custos de fiscalização reforçada e tratamento de investimentos já realizados. Proibir parece simples, mas regular e fiscalizar exige manutenção do ambiente visível para produzir resultados reais.
Reporting: iGaming Brazil
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