
Lula da Silva declarou em 18 de setembro que vai acabar com as apostas, citando dívidas e impactos sociais, e prepara MP para proibir jogos online. Dados de arrecadação divergem entre Comsefaz (**R$ 62 bilhões**) e SPA (**R$ 37 bilhões**), com risco de perda de **R$ 12 bilhões** em impostos. ANJL recomenda revisão preventiva de contratos.
SCCG Take — A possível alteração na Lei 14.790/2023 cria incerteza imediata para operadores licenciados; reguladores precisam equilibrar proteção social com estabilidade tributária para evitar expansão do jogo ilícito.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que tomou a decisão de “terminar com as apuestas”. A declaração ocorreu em 18 de setembro durante ato de campanha em Guarulhos, São Paulo. O mandatário citou preocupação com o impacto do jogo online na saúde mental e nas finanças da população, relatando conversas com pessoas endividadas, incluindo um empresário com dívida superior a R$ 2 milhões.
Lula criticou o manifesto conjunto de clubes brasileiros contra restrições às apostas online. Equipes como Corinthians, Flamengo, Palmeiras, Cruzeiro, Santos, Vasco da Gama e Grêmio alertaram para um “golpe fatal” no futebol caso os patrocínios de bets sejam proibidos. O presidente classificou o documento como uma tolice e lembrou que times foram campeões mundiais sem esses recursos. “Entonces, prepárense, porque los dueños de las empresas no van a querer que termine [con las apuestas], pero yo no soy dueño, soy presidente de la República y voy a terminar con las apuestas”, declarou.
Os dados citados indicam que as apostas arrecadaram R$ 62 bilhões em 2025, conforme boletim do Comsefaz, enquanto a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) registra R$ 37 bilhões para empresas legalizadas. O governo prepara medida provisória que pode proibir slots e crash games e restringir apostas esportivas, embora o conteúdo exato ainda não esteja definido. O Ministério da Fazenda estima perda de R$ 12 bilhões em arrecadação tributária com eventual proibição. Conforme reportado pela Yogonet Latinoamerica, o ministro Dario Durigan manifestou-se contra banimento amplo, defendendo regulação rigorosa para evitar mercado ilícito descontrolado.
A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) recomendou aos associados revisar contratos de publicidade, marketing e patrocínio de forma preventiva, para gerir possíveis impactos operacionais e financeiros.
A posição de Lula liga-se diretamente à Lei 14.790/2023, que regulamentou as apostas de quota fixa e autorizou a SPA/MF a conceder licenças com alíquota de 12% sobre o GGR. Uma medida provisória restritiva poderia alterar o mecanismo de outorga e fiscalização estabelecido pela lei, antecipando redução na receita projetada e instabilidade para operadores que já investiram em conformidade regulatória. O que ainda não se sabe é o alcance preciso da MP sobre licenças vigentes e prazos de transição, mas o movimento sinaliza risco elevado de revisão do equilíbrio entre proteção ao jogador e manutenção da atividade legalizada.
Diante da disputa eleitoral acirrada, a ofensiva contra bets pode ganhar tração política, mas enfrenta resistência interna no Ministério da Fazenda. Operadores devem monitorar a evolução da medida provisória e reforçar cenários de compliance, enquanto reguladores avaliam se restrições rigorosas evitam ou ampliam o mercado ilegal. O foco permanece na definição concreta das regras que sairão da campanha.
Reporting: Yogonet LatinoAmerica
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