
Declarações de Lula no podcast Desce a Letra Show comparam bets ao crack e sinalizam possível extinção via decreto, gerando temor de perdas de R$ 120 bilhões e judicialização por quebra de outorgas. Cassinos online representam 70% da receita e o orçamento de 2027 ainda projeta R$ 6,69 bilhões em arrecadação. Entidades como ANJL e IBJR pedem análise de dados antes de qualquer restrição.
SCCG Take — Operadores devem intensificar o diálogo com a Secretaria de Prêmios e Apostas e preparar defesas jurídicas baseadas em contratos firmados, enquanto o governo equilibra proteção ao jogador com metas de receita fiscal.
As declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva geraram forte apreensão no setor de apostas esportivas e cassinos online. No dia 16 de setembro, durante o podcast Desce a Letra Show, o presidente comparou o comportamento dos usuários de bets ao de dependentes de crack e afirmou ter “disposição pessoal” para extinguir os jogos no país.
Conforme a reportagem da BNLData, o governo ainda não definiu nenhuma medida específica nem prazo para publicação. Representantes do setor avaliam que o Planalto pode atuar por decreto ou medida provisória para vetar a propaganda de jogos de azar e proibir cassinos online, como o jogo do tigrinho e o Aviator. Essas modalidades respondem por cerca de 70% do faturamento das bets.
No dia 1º de setembro, Lula recebeu representantes da sociedade civil que defendem projeto de lei para proibir produtos de alto risco e a publicidade de bets em eventos esportivos, redes sociais e transmissões. A proposta limitaria as bets a comunicação institucional sem bônus ou apelos gráficos. A Associação das Mulheres da Indústria do Gaming alertou que medidas assim afetariam diretamente 10 mil trabalhadoras e mais de 10 milhões de mulheres apostadoras registradas.
A ANJL repudiou a exclusão do setor das reuniões com o governo. O IBJR defendeu análise cuidadosa dos dados e se ofereceu para contribuir. Executivos ouvidos pela BNLData mencionaram risco de judicialização, pois as empresas adquiriram outorgas sob outros termos. Bernardo Cavalcanti Freire, consultor jurídico da ANJL, afirmou que “os potenciais impactos indenizatórios podem alcançar a ordem de R$ 120 bilhões, valor que, justamente por sua magnitude, evidencia a necessidade de uma avaliação prévia e rigorosa antes da adoção de qualquer restrição”.
O discurso contrasta com as previsões da Fazenda. O orçamento de 2027 mantém projeção de arrecadar R$ 6,69 bilhões com taxas e participação da União na Receita do Jogo, além de imposto seletivo sobre jogo de azar. Desde o fim de junho, o setor tem se reunido com a Secretaria de Prêmios e Apostas para propor regulamentação de distribuidores online, maior supervisão de afiliados e melhorias em mecanismos de exclusão de jogadores dependentes.
A proibição da publicidade também poderia prejudicar a competição com sites clandestinos, que não pagam impostos nem adotam políticas de proteção ao jogador. O setor argumenta que mais de 100 processos sancionadores contra plataformas legalizadas mostram que irregularidades não se limitam ao mercado ilegal. Essa tensão exige avaliação rigorosa para evitar rupturas contratuais e perdas significativas no mercado regulado.
Reporting: BNLData
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