
O BIS SIGMA em João Pessoa reuniu mais de 600 participantes para debater união contra o mercado ilegal de 41% e modernização de loterias. O Nordeste emerge como polo com 37 marcas reguladas e foco em integridade, cooperação institucional e desenvolvimento tecnológico local. O evento sinaliza consolidação regional para fortalecer o setor regulado.
SCCG Take — Operadores e reguladores precisam converter o discurso de união em ações concretas de colaboração para reduzir a ilegalidade e atualizar normas como o CBJD. O potencial tecnológico do Nordeste exige políticas públicas que evitem concentração no Sul-Sudeste.
João Pessoa sediou a primeira edição nordestina do BIS SIGMA nesta quarta-feira, 16 de setembro, reunindo mais de 600 representantes do mercado regulado de jogos, apostas e loterias. O evento, realizado no Resort Tauá com caráter bilíngue, debateu regulação, integridade, combate à ilegalidade e o papel social das loterias, conforme reportado pela BNLData. O Nordeste já conta com 37 marcas e 14 empresas instaladas em apostas de cota fixa, além de polos tecnológicos em João Pessoa, Campina Grande e Recife.
O presidente do BIS SIGMA, Flávio Figueiredo, abriu o evento afirmando: “Estamos em sintonia aqui, que o nosso setor está apanhando e apanhando muito nesses últimos tempos. Se a gente não fizer alguma coisa, se não partir daqui alguma mudança, vai ficar complicado para todos nós.” O cofundador Carlos Cardama reforçou: “A palavra é união. Vamos lutar, vamos ter um mercado forte. O importante é uma palavra só: união.”
O mercado ilegal representa entre 38% e 44% das apostas no Brasil, com média de 41%. Mais de 56 mil sites irregulares foram bloqueados em parceria com a Anatel, mas 84% das propagandas no Instagram ainda são de operadores sem licença. Participantes defenderam maior coesão entre operadores, provedores, meios de pagamento e mídia para ocupar espaço com velocidade. O superintendente da LOTEP, Petrônio Rolim, destacou o respeito à atividade que contribui economicamente e protege o apostador.
O presidente das Loterias Caixa, Renato Siqueira, apresentou números expressivos: presença em 99% dos municípios, mais de 13 mil pontos de venda, R$ 9,2 bilhões em repasses sociais em 2025 e 238 milionários gerados. A Lottopar, com um ano e meio de operação no Paraná, arrecadou mais de R$ 60 milhões e pagou R$ 610 milhões em prêmios. O presidente da CIBELAE, Javier Milan, citou a modernização em El Salvador após lei de 2021, com raspadinhas saltando de 4 milhões para 26 milhões de unidades.
No painel de integridade, o Brasil responde por 5,5% dos casos suspeitos globais de manipulação de resultados, agravados pelo fato de 98% dos atletas profissionais receberem menos de um salário mínimo. O procurador Caio Porto Ferreira afirmou: “Integridade não é somente promovida por empresas de monitoramento. A cooperação entre as instituições é que pode entregar resultado.” O diretor da ANJL, Murilo Passarinho, alertou para ataques do ilegal e do crime organizado. Debates também abordaram vaquejada digital, que movimenta R$ 700 milhões por ano, e VLTs, com lições de perdas passadas como 14 mil empregos.
O evento rejeitou a visão do Nordeste apenas como consumidor, destacando projetos tecnológicos como Extremotec e Porto Digital, além de iniciativas sociais da LOTEP como apoio a 240 crianças via CEDÓ. O primeiro dia encerrou com discussão sobre o impacto eleitoral na segurança jurídica do setor regulado.
Reporting: BNLData
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