
TL;DR — Ministro Luiz Fux votou pela validade da criminalização de jogos de azar no STF, adiando o julgamento para 6/8. A decisão no Tema 924 afetará 2.728 processos e expõe contradição com a regulação de apostas. Críticos apontam distância da realidade econômica brasileira.
SCCG Take — O desfecho pode gerar incerteza para o setor regulado pela Lei 14.790/2023, exigindo que operadores monitorem o alinhamento entre norma penal e marco tributário da SPA.
O Supremo Tribunal Federal iniciou nesta quarta-feira (5/8) o julgamento do Recurso Extraordinário 966177, Tema 924 da Repercussão Geral, que discute se a criminalização da exploração de jogos de azar prevista em decreto-lei de 1941 é compatível com a Constituição de 1988. O relator, ministro Luiz Fux, apresentou a primeira parte de seu voto defendendo a manutenção da norma penal, mas o julgamento foi suspenso e adiado para a sessão de quinta-feira (6/8). A tese a ser fixada impactará diretamente 2.728 processos sobrestados em instâncias de todo o país, conforme reportado pelo BNLData.
Luiz Fux delimitou o caso a um comerciante absolvido por explorar caça-níqueis em São Leopoldo (RS). Ele sustentou que a proibição atende ao princípio da proporcionalidade, protege bens jurídicos como a ordem pública e foi recepcionada pela Constituição. O ministro citou exemplos de violência, lavagem de dinheiro e atuação de organizações criminosas no Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul e Paraná, além de mencionar a “dimensão galopante” dos jogos que chegam às bets.
“Os jogos de azar alcançaram um patamar inimaginável, evoluindo até o alcance das denominadas bets, que também têm seus efeitos, e são efeitos gravíssimos”, disse Fux, que ainda apresentará 16 páginas de fundamentação. Manifestações no plenário reforçaram o debate: a procuradora Flávia Raphael Mallmann defendeu a norma como instrumento de proteção, enquanto o advogado Laerte Gschwenter e o representante da Defensoria Pública Gustavo Zortéa da Silva argumentaram incompatibilidade com direitos fundamentais e estigmatização do apostador. O procurador-geral Paulo Gonet também apoiou a criminalização.
Fora do tribunal, o professor da USP e ex-desembargador Régis de Oliveira classificou o voto como “divorciado da realidade brasileira”. Ele afirmou que a legalização transformaria operadores informais em contribuintes, gerando cerca de R$ 20 bilhões anuais para saúde e educação, substituindo propinas por tributos. Oliveira criticou a manutenção de legislação da era de Getúlio Vargas diante da modernização dos costumes e da regulação atual.
O julgamento expõe contradição clara: o mesmo Estado que criminaliza jogos de azar autoriza loterias, regula apostas esportivas e jogos online e arrecada sobre essas atividades. A fonte não detalha como a decisão final do STF sobre o Tema 924 alterará especificamente a aplicação da Lei 14.790/2023, que estabelece o regime de apostas de quota fixa, ou as normas da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA/MF). Ainda não se sabe se o resultado reforçará distinções entre modalidades penalizadas e as licenças já outorgadas, ou se criará incerteza adicional para operadores e investidores no mercado regulado. O que o plenário decidir definirá o tratamento uniforme para os processos pendentes e o equilíbrio entre visão penal e abordagem tributária adotada pelo Congresso.
Reporting: BNLData
We've been on the ground in Brazil since regulamentação began. This isn't just doctrine — it's 2,728 pending cases and the credibility of a regulated market that collected licensing fees while the judiciary debates if gambling itself is criminal. Operators betting on Brazil need visibility here.
SCCG angle: SCCG has direct channels to Brazil's regulated operators, legal advisors, and SPA-connected compliance partners. If the Court creates uncertainty between penal and regulatory law, we help clients interpret exposure, adjust compliance posture, and connect to local counsel who've navigated this exact contradição since 2023.